Arquivo do mês: agosto 2009

Obras do Acaso

Acredito cada vez mais que o futebol pode nos levar a caminhos muito interessantes e nos ensinar muita coisa. Vejam o que aconteceu comigo.

Sou fã do jogo FIFA, da EA Sports. Estava jogando a versão 2009. Como gosto de jogar todos os campeonatos e tinha ficado curioso com relação à possibilidade de controlar um só jogador, em vez de todo o time, no modo conhecido como “Be a pro” (seja um profissional, em tradução literária), decidi sortear.

Escudo atual do Rapid Viena

Escudo atual do Rapid Viena

Primeiro, o país. São cerca de 20 para se escolher. Deu Áustria. Tinha duas opções para sortear agora: Copa da Áustria ou Campeonato Austríaco. O segundo ganhou. O novo sorteio seria entre os dez times da 1ª Divisão do país. Saiu para mim Rapid Viena. Agora me restava apenas escolher, claro que por meio de sorteio, o jogador que iria controlar. Pronto. Eu era, a partir daquele momento, o atacante austríaco Stefan Maierhofer, 27 anos.

O acaso me levou a este jogador. Curioso como sempre, aliás, papel importante para um jornalista, resolvi pesquisar mais sobre “mim” no site oficial do Rapid Viena. Dirigi-me ao elenco do Rapid. Vi que os jogadores respondem a um questionário diverso, na página de cada um. Uma delas me chamou bastante atenção: “O que passa na sua cabeça quando os torcedores do Rapid Viena não param de aplaudir nos últimos quinze minutos?”

Nem me lembro da resposta do meu atacante do FIFA 2009. Somente esta pergunta me foi suficiente para começar a procurar a razão desse comportamento tão esquisito. É claro que haveria uma explicação lógica para aquilo.

O Brasão de armas da Áustria atual, utilizado desde o fim da Primeira Guerra Mundial.

O Brasão de armas da Áustria atual, utilizado desde o fim da Primeira Guerra Mundial.

E é óbvio também que havia um fator que poderia ter desanimado meu ímpeto jornalístico. A língua falada na Áustria é o alemão. Sorte minha que o site do Rapid Viena tem versão em inglês. Mas, quer saber? Mesmo em alemão, eu continuaria procurando.

Passei, como já deveria esperar, por diversos sites em língua germânica. Mas até que achei a grafia simpática (mentira). O fato mais importante é que tive sucesso na empreitada. Descobri o motivo daqueles “bateres” de palmas nos últimos quinze minutos em todas as partidas em que o Rapid é o mandante.

Mas não vou dizer a vocês. Ainda. Terão de esperar o lançamento do site da Revista Digital Sem Fronteiras, em breve. Darei uma pista somente: tem muito a ver com a Segunda Guerra Mundial. E com a Alemanha. Quem é capaz de chutar? Quem poderá chegar perto? Façam suas apostas, deem seus palpites.

Matheus Laboissière

Editor de Política e redator de Esportes e Economia

Entre árvores, história e religiosidade: Mosteiro de Macaúbas

Mosteiro de MacaúbasEm estilo colonial, é um lugar de retiro, inserido numa planície em meio a palmeiras de macaúbas. O local é fonte de inspiração para religiosos e de pesquisa para historiadores e artistas. Abriga um acervo do tempo das históricas cidades pertencentes ao ciclo do ouro em Minas Gerais. O lugar também conserva a beleza natural das pequenas comunidades em seu entorno, como Engenho e Andrequicé.

O Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição de Macaúbas, localizado a 11 quilômetros do centro da cidade de Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, é um dos pontos de turismo religioso da cidade. Em 1716, o prédio recebeu doze jovens para o recolhimento. Posteriormente, passou para educandário, recebendo muitas filhas de ricos senhores. Há registro de algumas das filhas de Francisca da Silva de Oliveira, a Chica da Silva, cujo companheiro, o contratador de diamantes João Fernandes de Oliveira, construiu uma das alas e um dos mirantes do prédio.

Desde 1926, foi convertido em Mosteiro de Ordem Contemplativa, ligado à Ordem da Imaculada Conceição. Lá vivem, em regime de clausura, as irmãs da Ordem da Imaculada Conceição. Em Macaúbas, o ofício divino, das monjas contemplativas enclausuradas, começa ao raiar do sol e se encerra com a liturgia da noite.

Aos domingos é palco das tradicionais missas dominicais e recebe fieis de várias regiões de Minas Gerais. As irmãs também recebem pessoas e grupos que queiram se hospedar no Mosteiro para fazer retiro espiritual ou encontros religiosos. Vale a pena conhecer um pouco mais dessa história viva!

Há quem acredite que o imponente prédio da segunda metade do século XVIII, o Mosteiro de Macaúbas, fora construído apenas para ser educandário para as filhas de Chica da Silva. E há outros que preferem ignorar que o legado de Chica tenha passado por lá e acreditar na força espiritual do Mosteiro e suas histórias de fé.

Até mais!

Samantha Mapa

Editora de Turismo e repórter de Cultura

Novas fronteiras para “desbravar”

A arte de ludibriar a população ultrapassa o cenário político nacional

A quarta-feira do dia 26/08/09 foi um dia importante para a política externa do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. O plenário do NOBRE Senado Federal deu notável passo rumo à abertura de fronteiras importantes para nossos interesses nacionais.

Brian Michael Fraser Neele, ex-embaixador de Honduras, foi aprovado pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado Federal como embaixador de Antígua e Barbuda, no Caribe. Neele é o primeiro embaixador brasileiro naquele país, cuja embaixada foi aberta em fevereiro deste ano.

Porém, Antígua e Barbuda não está sozinha nessa. A Líbia, na África, também será premiada com uma embaixada brasileira, assim como Malta, na Europa. Não podemos esquecer de países importantes para a política exterior brasileira, os quais também ganharão um “predinho” do governo brasileiro: um dos países mais pobres do mundo, Bangladesh, na Ásia, os caribenhos São Vicente e Granadinas, Dominica e São Cristóvão e Neves, e sabem mais quantos países? Exatas 85 nações, além das citadas anteriormente. É isso mesmo! O Brasil custeia 92 embaixadas em países com o nosso dinheiro!

Vista aérea do porto de Antígua e Barbuda, o único do país

Vista aérea do porto de Antígua e Barbuda, o único do país

É evidente que as embaixadas são um meio diplomático importante nas relações internacionais. Está corretíssimo que o Brasil fique mais perto de Estados Unidos, Inglaterra, Espanha, Itália, Portugal, Alemanha, Argentina e outras dezenas de países espalhados pelos cinco continentes.

O que critico na política externa do governo Lula é quando ela trilha caminhos rumo a países que certamente têm pouco a nos oferecer. A título de ilustração, vamos conhecer um pouco mais de Antígua e Barbuda, país que mais me instigou.

Antígua e Barbuda, Caribe

Três ilhas formam o território: Antígua, com 280 km², Barbuda, com 161 km² e Redonda, com incríveis 1,5 km²! Detalhe para a Ilha de Redonda, que é desabitada. O país possui uma “vasta” população, meros 84.552 habitantes, dados de 2008.

A economia é basicamente constituída de turismo, o maior contribuinte para o PIB (Produto Interno Bruto) do país. A agricultura e a pesca caíram de 40% do PIB em 1960 para 12% das somas das riquezas do país atualmente. O PIB, hoje, é de 1,527 bilhão de dólares. A título de comparação, o PIB brasileiro, em 2008, era de 1,981 trilhão, pouco mais de mil vezes superior! Do Brasil, hein?

Ainda tem mais! As indústrias transformadoras, que prosperaram na década de 1980, são orientadas para a exportação e produção de peças de vestuário, pintura, mobiliário, roupa de cama e chapas galvanizadas. Esta última frase foi retirada do site oficial do governo de Antígua e Barbuda.

Talvez o ministro Celso Amorim e a Comissão de Relações Exteriores, repito, do NOBRE Senado Federal tenham escolhido erguer um “predinho” em Antígua e Barbuda por causa das roupas de cama e do mobiliário, produtos escassos para a população pobre de nosso país. Talvez os produtos antiguanos sejam tão nobres quanto o nosso Senado Federal!

Mapa de Antígua e Barbuda, destacando as duas ilhas principais: Antígua e Barbuda

Mapa de Antígua e Barbuda, destacando as duas ilhas principais: Antígua e Barbuda

Outra embaixada, de Barbados, na América Central, tem jurisdição, ou seja, área de atuação, em outros países. Sabem quais? Antígua e Barbuda, São Cristóvão e Névis, São Vicente e Granadinas, Barbados, Anguilla, Ilhas Virgens Britânicas e Montserrat. Aposto que você, caro internauta, lembra do começo deste texto. Quais serão as novas embaixadas abertas pelo governo brasileiro?

Portanto, se a embaixada de Barbados tem jurisdição em Antígua e Barbuda, São Cristóvão e Névis, São Vicente e Granadinas, por que abrir embaixadas nos referidos países? Não quero nem mencionar (mencionando) que a abertura dessas embaixadas é para cabide de empregos!

Em breve, a Revista Digital Sem Fronteiras passará um pente fino a fim de descobrir mais países exóticos com que o nosso Brasil deseja manter relações “diplomáticas” para ambas as partes. E verificar se há (ou não) mais benesses do que malefícios para a população nessas relações.

Matheus Laboissière

Editor de Política e redator de Economia e Esportes