Saem as pessoas, ficam as obras

Praça da Liberdade, futuro circuito cultural mineiro - Crédito: Lucas Fernandes

Praça da Liberdade, futuro circuito cultural mineiro - Crédito: Lucas Fernandes/ Sem Fronteiras

As paredes das redações guardam, consigo, segredos que, por medo ou desleixo, acabam se perdendo no tempo, assim como as palavras se entrelaçam ao vento.

Uma simples conversa entre produtores e uma conclusão me chamaram a atenção esta semana: a discussão acerca do Circuito Cultural Praça da Liberdade e o fato de os políticos serem lembrados, em grande medida, por suas obras suntuosas.

O complexo pretende colocar Minas Gerais, de fato, na trilha cultural. Para isso, serão gastos R$ 100 milhões na primeira etapa, com recursos da iniciativa privada. Na segunda etapa serão usados recursos públicos. Assim, o centro administrativo terá de ser transferido para o bairro Serra Verde, pela IRRISÓRIA quantia de meio bilhão de reais, conseguidos por meio da iniciativa público-privada.

Centro Administrativo Serra Verde. Uma grande obra ou uma obra grande? - Crédito: Agência Minas

Centro Administrativo Serra Verde. Uma grande obra ou uma obra grande? - Crédito: Agência Minas

Segundo o governo, a economia será na ordem de R$ 900 mil mensais, tendo em vista o aluguel dos prédios no entorno da Praça da Liberdade e manutenção das instalações. Quanto a isso, nada a reclamar. Nem quanto ao circuito. Mas por que gastar tanto em um faraônico centro administrativo, no extremo norte da cidade, com o debilitado acesso metroviário?

A sugestão foi: a proximidade do ano eleitoral e a possibilidade de candidatura à presidência, por parte de Aécio Neves. Talvez seja por isso que o atual governador das Gerais aposta em um modelo que deu certo, o de JK. Antes de sair à presidência, o também boêmio Kubitschek deixou o Complexo da Pampulha, o Palácio das Artes e demais obras aos mineiros.

A ditadura, a fim de colocar o Brasil na rota do progresso, construiu a ponte Rio-Niterói, a Transamazônica – que se perdeu na imensidão da densa floresta – e Itaipu, útil, porém faraônica e cara. Após a reabertura, saíram os homens, restaram os monumentos e vestígios deles. Devastação, déficit econômico, sucateamento das grandes estruturas.

Espero que este não seja o caso do centro cultural mineiro. Todos, que naquela redação comigo estavam, também! A população aguarda ansiosa o dia em que o espaço público for entregue a quem lhe pertence.

Lucas Fernandes.

Editoria de Economia, Educação, Painel e Política.

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2 Respostas para “Saem as pessoas, ficam as obras

  1. Oi, Lucas!

    Bacana essa observação que vc fez. Ao mesmo tempo que sabemos que estas obras tem um caráter eleitoreiro, fico contente de ver que a nossa capital irá ganhar um senhor circuito cultural.

    Tem gente que fala que o lugar escolhido foi pq o Serra Verde é perto do Aeroporto e isso facilitaria a vida dos nossos representantes…rsrsrs…expeculações não faltam, mas que a obra em si chama muita atenção, isso chama. Vamos ver no que vai dar!

    Abraço,

    http://cafecomnoticias.blogspot.com

    • Wander, obrigado pela visita e, principalmente, pelo comentário.

      O circuito é fundamental para Belo Horizonte se impor como capital cultural. O setor é mal explorado pelo ramo da comunicação, que não enxerga as periferias, e, ainda por cima, liga cultura a faturamento, inserção em grandes casas de espetáculo etc.

      Quanto ao Serra Verde, tudo em que Niemayer seja um gênio e suas obras prezem sempre pela funcionalidade. Mas, mesmo assim, o consumo de dinheiro público é extravagante neste caso. Além disso, outras soluções poderiam ser encontradas, a fim de centralizar um pouco mais a sede administrativa, facilitando o acesso a ela. No final, quem paga, você já sabe…

      Novamente, obrigado pela participação e continue conosco.

      Lucas Fernandes.
      Economia, Educação, Painel e Política.

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