Federer e Senna: os números e a paixão

Roger Federer, de um dia para o outro, virou o melhor de todos os tempos. Crédito: meunierd/Flickr

Roger Federer, de um dia para o outro, virou "o melhor de todos os tempos". Crédito: meunierd/Flickr

Algumas publicações esportivas brasileiras cometeram um equívoco no mês passado. Ao conquistar o torneio de Wimbledon, o tenista suíço Roger Federer foi imediatamente batizado por aqui de “o melhor de todos os tempos”. Na ocasião, Fed-Ex (apelido de Federer) levou para casa seu 15° troféu do Grand Slam, como é denominado o conjunto das quatro mais importantes competições da modalidade.

Federer deixou para trás o norte-americano Pete Sampras, 14 vezes campeão de torneios do Grand Slam. Entretanto, “apenas” quebrar um recorde emblemático não lhe confere o status de tenista mais competente da história. Não porque Sampras teve 64 títulos na carreira, contra 60 do suíço. Federer ainda tem 28 anos e, certamente, chegará com facilidade à marca do estadunidense. Refiro-me à indispensável subjetividade esportiva.

Opiniões sobre as lendas do esporte não se limitam aos números. Praticar, acompanhar ou comentar uma modalidade não é uma decisão lógica, mas passional. O espírito de competição que norteia o esporte estabelece a necessidade de termos nossos ídolos, nossos mitos. Mas quem pode determiná-los?

Os números, sozinhos, não podem fazê-lo. Para a maioria dos brasileiros, Michael Schumacher e seus sete títulos na Fórmula 1 não superam o tricampeão Ayrton Senna. Os argumentos são vários. Vão desde o falecimento precoce do paulistano até os adversários que cada um teve de enfrentar. Inválidos, absurdos? Não para quem fala de esporte.

Federer pode já ser o melhor tenista da história. Contudo, são necessários a tal conclusão um debate profundo e o respeito às opiniões alheias. Ser o melhor simplesmente porque ganhou mais não combina com um ramo tão apaixonante. Os números estão aí, serão considerados e dissecados. Mas não serão santificados.

Observação, só para polemizar: o que dizer dos números de Usain Bolt?

Daniel Leite

Editor de Educação e Esportes.

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4 Respostas para “Federer e Senna: os números e a paixão

  1. Sem dúvida tb acho que os números não o transformam no melhor de todos os tempos, ele só é de fato o maior campeão de Grand Slam de todos os tempos ….. acho que como vc falou essa subjetividade de cada um considerar quem quiser como o melhor é que da graça a tudo …. eu contiuo com Sampras, mas veja que Federer tem Roland Garros, e o norte a-mericano não …. uma polêmica tão grande quanto a de Schumacher e Senna …………. o caso de Bolt vai além, ele é o mais rápido de todos em todos os tempos, mas se tivesse nascido no passado não teria jamais chegado perto dos 9s58 ….. a dúvida fica para o futuro, quem poderá fazer essa marca impressionante novamente ?? !!!!!!!! abraço

  2. Pois é, caro amigo. A questão trazida à tona por você, relativa ao título de Roland Garros, é mais uma a privilegiar Federer em alguns aspectos de análise. Algo que todos valorizam muito é a capacidade do atleta de vencer sob diferentes circunstâncias. Por ter conquistado um torneio do Grand Slam sobre saibro, Federer talvez seja mais completo do que Sampras. O que não significa dizer, ainda, que o suíço seja melhor. Quem pode afirmar que o estilo do norte-americano, de saque e voleio, não é o mais encantador, até por conta de sua eficiência?

    Sobre Bolt e o futuro, vejo estudos que tentam determinar o limite humano no que se refere à capacidade de correr rapidamente. Sinceramente, não sei o que podemos dizer sobre isso. Afinal, as revoluções físicas e tecnológicas acontecem de forma tão veloz, que estabelecer limites mais parece um tiro no escuro.

    Um abraço.

    Daniel Leite,
    Educação e Esportes.

  3. Eu considero Federer como o maior da história no tênis por tudo que ele já conquistou, pelo que ele vai conquistar, pelo jogo técnico e pelo carisma. Ayrton também foi bom e um dos melhores, mas reconheço que Schumacher era melhor e vale lembrar que em 1994 ambos tinham carros competitivos e lutariam pelo título. Nas 2 corridas que eles correram, deu Schummy. Abraços.

  4. Minha postura é semelhante, Guilherme. Acho inválido criar conceitos exclusivamente atrelados a números. Estes são importantíssimos, talvez sejam o ponto principal de uma análise. Mas não podem, de modo algum, ofuscar a beleza de um esporte. E você foi preciso quando explicou por que, em sua opinião, Federer é o melhor. Abraço.

    Daniel Leite,
    Educação e Esportes

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