Nem bispado paulista nem plim-plim carioca

Acho cada vez mais incrível como a grande mídia consegue, de modo tão fácil, mudar rapidamente seu roteiro de assuntos. É da água para o vinho, como se diz popularmente. O que há duas semanas era noticiado como extremamente importante à população deixa o papel de protagonista para se tornar mero figurante, nesse teatro de holofotes que iluminam personagens e histórias com pouco ou nenhum sentido para muitos dos espectadores da plateia.

No episódio da semana passada, Globo e Record focalizaram, em seus telejornais, o bispo Edir Macedo e a maior de suas empresas, a IURD (Igreja Universal do Reino de Deus). Foi de impressionar o tempo de duração das reportagens da Rede Globo acusando Edir Macedo e, em contrapartida, também o longo espaço dedicado pela Rede Record à ‘defesa’ dele – mais contra-ataque do que defesa.

Quando, em outras ocasiões que não a briga pela audiência (para manter ou conquistar a liderança), assistiríamos a uma reportagem que durasse 10 minutos ininterruptos? Quando veríamos um programa dominical noturno contando a história da emissora adversária, com a proposta de revelar as ditas “ligações perigosas” existentes entre os donos da TV inimiga e o período ditatorial no Brasil? Ou ainda reportagens televisivas inteiras baseadas apenas em citações de grandes jornais e revistas do país, não fazendo nada além de repercutir o trabalho da mídia impressa?

Não há dúvida de que os meios de comunicação de massa estejam realmente mudando neste ‘ainda’ início de século. Se a tal mudança será para melhor ou pior eu não sei. Tenho apenas a certeza de que muitas máscaras estão pouco a pouco caindo, já que parece não haver mais qualquer receio ou restrição em recorrer à metalinguagem – um telejornal falando do trabalho da outra emissora – para trazer à tona os ‘podres’ alheios.

No fim das contas, quem sai ganhando com toda essa lambança é o espectador que dispõe de outros meios de informação – caso nenhuma das versões apresentadas o agrade e ele queira se informar sobre o que, de fato, mexe com sua vida. A discussão sobre esse tema continua lá no blog do Alex Lirio, um dos nossos colunistas de Educação.

Mateus dos Santos – Editor de Mídia em Foco

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2 Respostas para “Nem bispado paulista nem plim-plim carioca

  1. Com certeza essas mudanças são para melhor! Só que para os que dispõe de discernimento, a grande massa nem sabe direito o que se passa, e se sabe, não está nem aí, querem mais é continuar assistindo sua novela das 8 ou a fazenda em paz… fazer o que…

  2. Eu também acredito que muita gente “não está nem aí” para os grandes assuntos da atualidade. É uma pena, apesar de ser compreensível que pessoas cuja realidade já é tão sofrida queiram mais é, ao chegar em casa no final do dia, descontrair com novelas e reality shows.

    Como eu já disse em outra postagem e não me canso de repetir, acredito que tudo isso seria diferente caso os que controlam a grande mídia se preocupassem em educar as pessoas, orientando-as de modo que elas passassem a gostar de temas relacionados a política, economia etc. Entretanto, não basta apenas tentar fazer o povo se interessar por esses assuntos, mas abordá-los de uma forma também diferente da que sempre se viu.

    Até mais.

    Mateus dos Santos – Editor de Mídia em Foco

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