Um apito, uma bola, um malandro

Ao contrário da arbitragem brasileira, o ex-sambista Bezerra da Silva não virou as costas à malandragem. Crédito: Rei King / Picasa

Ao contrário da arbitragem brasileira, o ex-sambista Bezerra da Silva não virou as costas à malandragem. Crédito: Rei King / Picasa

A 7ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu  neste mês encerrar o caso da “Máfia do Apito”, que provocou um rebuliço no futebol brasileiro em 2005. Os desembargadores alegam que as infrações cometidas pela quadrilha encabeçada pelo empresário Paulo Nagib Fayad não podem ser classificadas como crime.

Entretanto, acredite: melhor seria se os problemas da arbitragem brasileira estivessem restritos à impunidade. Além de ter sua credibilidade constantemente colocada em xeque, nossos árbitros são responsáveis por tornar o futebol inconveniente.

Assistir a jogos do Campeonato Brasileiro é uma tortura. Por aqui, os árbitros marcam 37  faltas por jogo, um exagero. E não é questão de desonestidade, mas de despreparo. Por exemplo, o paranaense Evandro Rogério Roman, que integra o quadro de árbitros da FIFA, já mostrou que mal sabe distinguir uma falta de um desarme. Um prato cheio para os jogadores adeptos do “cai-cai”.

Há cerca de um mês, o ex-vice-presidente de futebol do Sport Clube do Recife, Guilherme Beltrão, utilizou o termo “bandido” para se referir a Carlos Eugênio Simon, o mais renomado árbitro brasileiro. A resposta mais enfática do gaúcho foi a seguinte: “pelo que sei, este dirigente gosta de aparecer”. Apesar de prometer processar Beltrão, Simon foi demasiadamente brando diante das acusações do cartola. Medo? Sinal de descrédito?

Não vou entrar no mérito. Apenas afirmo que é muito mais agradável assistir às partidas da Barclays Premier League, o campeonato inglês. Marcam-se 15 faltas por jogo, e a bola flui de maneira muito agradável. Na Inglaterra, há uma aversão aos jogadores atores, aqueles que simulam faltas a todo tempo e banalizam o futebol.

Acompanho, sim, o Campeonato Brasileiro, pois é impossível deixar de lado o futebol local. Ainda que o torneio fosse muito melhor se não predominasse a malandragem dos jogadores e a incompetência de arbitragens que atendem a qualquer pedido de falta. E isso não é uma apologia à violência, que fique bem claro. Trata-se apenas de um discurso favorável ao bom futebol.

Observação 1: nossos árbitros assistentes também vivem péssima fase.

Observação 2: prova cabal da nossa cultura da malandragem aconteceu ontem, no empate por 3 a 3 entre Corinthians e Botafogo. Um toque com a mão de André Lima (Botafogo) e um mergulho voluntário de Jorge Henrique (Corinthians) foram convertidos em gol e pênalti, respectivamente. A arbitragem do baiano Arilson Bispo da Anunciação foi desastrosa.

Daniel Leite,

Educação e Esportes

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2 Respostas para “Um apito, uma bola, um malandro

  1. Essa Máfia do Apito segue à risca o Senado, a Câmara, onde tudo termina em pizza. Abraços.

  2. Por isso, Guilherme, o futebol é tão importante. Talvez seja a mais clara extensão da sociedade. Abraço.

    Daniel Leite,
    Educação e Esportes

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