A Suíça da América

Tabaré Vásquez é o primeiro presidente de esquerda do Uruguai. Crédito: rxgranja/ Flickr

Tabaré Vázquez é o primeiro presidente de esquerda do Uruguai. Crédito: rxgranja/ Flickr

Há exatos 181 anos, o Brasil reconhecia a independência da antiga Província Cisplatina. A porção de terra a leste do Rio Uruguai, pouco maior do que o Acre, havia sido incorporada ao Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves em 1821. Naquela época, a região enfrentava uma grande crise em virtude de conflitos entre caudilhos (líderes locais autoritários), e a anexação do território pelos luso-brasileiros se apresentava como uma boa solução.

 

Entretanto, como os cisplatinos falavam a língua espanhola e mantinham costumes diferentes dos nossos, surgiu em Montevidéu (cidade mais importante da antiga província e atual capital do Uruguai) uma corrente separatista. Após a declaração extra-oficial de independência em 1825 e alguma resistência do Império do Brasil, o país batizado de Uruguai transformava-se, de fato, em Estado Nacional aos 27 de agosto de 1828.

  

Hoje, a República Oriental do Uruguai tem 3,4 milhões de habitantes, a maioria de ascendência europeia. Desde 2005, o país é governado por Tabaré Vázquez, o primeiro presidente de esquerda da história da república, após longa alternância de blancos e colorados no poder. Quanto ao âmbito social, os indicadores do Uruguai obviamente não ocupam o mesmo patamar que os da Suíça, como pode sugerir o título.

  

Todavia, o fato de o território nacional ser pequeno facilita a promoção de políticas relativas a Educação. Assim, 96,7% dos uruguaios são alfabetizados, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da nação chega a 0,852 (considerado elevado), e a expectativa de vida é de 76,4 anos. Por tudo isso e pela notável assistência a seus idosos, o Uruguai ganhou o apelido de “Suíça da América”, esquecido nas últimas décadas. Agora, o presidente Tabaré Vázquez diz pretender “recuperar” a denominação.

 

 Ainda que presa ao passado, a alcunha talvez seja um exagero. O Chile, por exemplo, adota um modelo socioeconômico de grande sucesso, que lhe confere um IDH igual a 0,874 e uma expectativa de vida de 78,6 anos. Mesmo assim, o Uruguai, pela proximidade geográfica e a intersecção histórica em relação ao Brasil, é um exemplo bem sucedido de qualidade de vida. Quero dizer, se ainda não podemos imitar os suíços, imitemos ao menos os uruguaios.

  

Daniel Leite,

Educação e Esportes

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