Entusiasmo e obrigação

 

Em território inimigo, o Brasil venceu Porto Rico por emocionantes 61 a 60 e conquistou a Copa América de Basquete. A seleção comandada pelo espanhol Moncho Monsalve se classificou para o próximo Campeonato Mundial, que será disputado na Turquia em 2010, com muita facilidade (campeões, precisávamos apenas do quarto lugar para chegar lá). Nosso basquete deixou de ser aquela fábrica de ancilostomíase: não amarelamos mais! Afinal, vencer Porto Rico na casa deles era algo impensável para o nível de jogo despersonalizado que apresentávamos.

Entretanto, em termos técnicos, é preciso dizer que o Brasil tinha a obrigação de conquistar o torneio. Os Estados Unidos, campeões olímpicos e já no Mundial, não participaram da Copa América. Ainda bem. Ninguém gosta muito de disparidade no esporte. Sem os ianques, sobrou quem no continente? Ora, Argentina, Porto Rico e Brasil. E os três não estiveram completos.

Porto Rico não pôde contar com sua principal estrela. Os Dallas Mavericks, franquia da NBA, não liberaram o armador José Juan Barea, que era uma das poucas alternativas portorriquenhas para não precisar tanto dos arremessos de longe. O Brasil, por sua vez, teve de jogar sem Nenê, dos Denver Nuggets. O pivô é o jogador brasileiro em melhor fase, tendo sido um dos melhores grandalhões da temporada passada na NBA.

A questão é que Nenê, embora esteja muito bem, não fez tanta falta assim. A posição mais abastada no basquete brasileiro é justamente a de pivô. Anderson Varejão e Thiago Splitter são suficientemente bons para segurar qualquer bronca. O mesmo não se pode dizer dos desfalques daquela que seria, facilmente, a melhor seleção da Copa América caso estivesse completa.

A prova de que a Argentina é, depois dos Estados Unidos, a grande seleção do continente foi a comemoração de brasileiros e portorriquenhos após vitórias duríssimas diante de uma espécie de time B dos argentinos. Olhe só quem o treinador Sérgio Hernández não pôde chamar: Manu Ginóbili, Andrés Nocioni, Carlos Delfino e Fabricio Oberto. Dos grandíssimos nomes, sobrou o ala-pivô Luís Scola. Ele é tão bom, que foi eleito o MVP (jogador mais valioso) da Copa América, mesmo com a terceira colocação argentina.

Aonde quero chegar com essa história? Meu objetivo, amigos, é deixar claro que o título brasileiro não diz tanta coisa como alguns sabichões proclamam. Foi um passo muito importante do começo da caminhada que nos levará de volta aos Jogos Olímpicos e aos grandes momentos. Só que o Brasil tem, no mínimo, a terceira melhor seleção do continente. Com os ianques fora e os argentinos aleijados, vencer a Copa América era obrigação. O que já é alguma coisa para quem não cumpria seu papel há tanto tempo.
O povo brasileiro adora campanhas. Deveria, pois, começar mais uma: “Fica, Moncho!”. Crédito: Cláudio Reis/Flickr.

O povo brasileiro adora campanhas. Deveria, pois, começar mais uma: “Fica, Moncho!”. Crédito: Cláudio Reis/Flickr.

Lembrete: com rivais desfalcados, o Brasil também ganhou a Copa América em 2005.

Crítica: A Confederação Brasileira de Basketball não pode deixar o espanhol Moncho Monsalve escapar. O trabalho de consciência defensiva que ele tem feito na seleção brasileira é muito importante. Agora, nosso conjunto não é formado por um bando de “peladeiros”. Por isso, seria interessante aumentar o salário do treinador, que ganha oito mil euros mensais e pode deixar o cargo.

Moncho fez o Brasil aprender que Marcelinho Machado não é um jogador fantástico. Tira o que pode de Marcelinho Huertas, nosso armador titular. Dá confiança a Leandrinho. Explora ao máximo a capacidade defensiva de Alex. Deixa suas torres gêmeas, Varejão e Splitter (ou Nenê), atuarem de forma que um não roube o espaço do outro. Moncho precisa ficar até quando puder.

Daniel Leite – Educação e Esportes

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