Pra não dizer que não falei de Petrosal

Petrosal: redentora das massas oprimidas ou peça publicitária para 2010? Crédito: Country.com.br

Petrosal: redentora das massas oprimidas ou peça publicitária para 2010? Crédito: Country.com.br

No ditado eleitoral,/ Feliz é aquele que nos seus mares encontra/ Um líquido negro a chamar de nosso./ Que gere royalties e opiniões contra,/ Petrosal é manobra para poucos/ E renda para muitos políticos em estado de ócio.

Anunciada por Luís “Pré-sal” Lula da Silva, a nova empresa de exploração de petróleo em águas profundas levanta uma série de polêmicas. As mais debatidas pela mídia dizem respeito aos modelos de exploração petrolífera, à urgência do presidente para que o Congresso analise as propostas e os royalties. Melhor, as bocadas que cada governo conseguirá com o pré-sal.

Vejamos. A Petrobras, com o novo modelo, terá direto, no mínimo, a 30% do petróleo explorado na camada pré-sal. E só ela terá acesso a tecnologia e custos de produção. O conjunto desta obra é o chamado modelo de partilha, que substitui o de concessões, quando a empresa societária tem o controle da situação. No final das contas, se o pós-sal é por concessões e o pré-sal será por partilha, teremos um modelo misto, a exemplo da Rússia.

Uma oportunidade de abarcar velhos e novos aliados.

Uma oportunidade de abarcar velhos e novos aliados.

A urgência do presidente em comer a “floresta negra das águas profundas” tem uma razão lógica: usar a nova técnica de extração mineral para ativar a velha tática das obras eleitoreiras. Uma empresa estatal. Uma grande possibilidade de o governo lançar mão de um cabide de empregos (e alianças) úteis para 2010. Bons fluidos para Dilma, que nada de braçada em favor da rápida votação dos projetos para a exploração do combustível.

Quanto aos royalties, que Estado não quer garfar alguns milhares de barris em forma de tributos com esta farra? Destaque para Rio de Janeiro e Espírito Santo, dois gladiadores a brigar por cada palmo de petróleo retirado das profundezas dos campos indígenas e interplanetários (como Tupi e Júpiter).

O ecologicamente correto cai por mar?

Com a nova companhia exploradora de petróleo, o Brasil tende a focar os investimentos tecnológicos na área de energia, principalmente no pré-sal. Um anúncio indigesto para os ambientalistas, que tanto apoiaram o governo na busca por investimentos e pela divulgação dos biocombustíveis.

O etanol, certamente, não perderá força. Mas o país ganha uma sobrevida no quesito petrolífero. Bom para a economia, se os recursos forem mesmo aplicados na inovação científica e tecnológica, redução da pobreza e melhoria da educação. Péssimo para o meio ambiente, que sentirá os efeitos do petróleo por mais longos anos ou até que a Terra diga um basta do tamanho da ganância humana.

Lucas Fernandes.

Economia, Educação, Painel e Política.

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