Os “complexos”, viadutos e afins

OPINIÃO

Terra, carros parados e uma obra sem previsão de término. Crédito: PBH.

Terra, carros parados e uma obra sem previsão de término. Crédito: PBH.

Progresso segundo o dicionário Aurélio significa “movimento ou marcha para adiante”. Para os transeuntes das grandes cidades, esta palavra, lema da corrente filosófica do positivismo, também equivale a contradição. Trânsito lento; grandes obras viárias, a levantar poeira e ensurdecer os mais acostumados e tolerantes a barulhos extremos; além de longas caminhadas aos pontos de ônibus.

Uma realidade que começa antes mesmo do sol raiar e que delineia com terra e cimento novos caminhos em meio às veias das metrópoles. Tratores e homens exaustos asfaltam o futuro, enquanto reclamamos do presente caótico “causado” por eles. Seria impossível construir sem destruir. Assim pensa a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte e outras inúmeras país afora.

A grande obra viária de ampliação da Avenida Antonio Carlos, que liga a região central da capital mineira à Pampulha, começou em 2004, ainda sob a vigência da administração de Fernando Pimentel, do PT. Em 2009, iniciaram-se as obras no Complexo de viadutos da Lagoinha, a fim de melhorar as condições de tráfego como em São Paulo, com o Complexo Anhanguera.

Assim anda o metrô da capital mineira. Crédito: Pola's blog

Assim anda o metrô da capital mineira. Crédito: Pola's blog

As intervenções seguem como alternativas para a melhoria no trânsito da capital mineira. Há que se projetar, contudo, um olhar para o que deu certo dentro e fora do país.  Aqui vemos os metrôs, simples trens urbanos que ligam os extremos das grandes metrópoles, além das vias exclusivas para ônibus. Fora, temos as ciclovias, muito usadas na Holanda, por exemplo.

Então, o que nos falta para reduzirmos a taxa de estresse no trânsito e, consequentemente, elevarmos a qualidade de vida do cidadão? Uma mudança de conceito. Afinal, grandes obras são chamarizes de votos e, em véspera de ano eleitoral, nada melhor que os governos estaduais e municipais se unirem em torno de asfaltar, alargar e adiar o problema crônico do transporte urbano no país.

Educar o cidadão para o trânsito e investir na mobilidade urbana por meio de transporte metropolitano de qualidade custa caro e não movimenta a máquina pública, que “gasta” ao invés de recolher frutos. Digo, votos. Enquanto isso, o cidadão perde a cabeça,  torra a paciência e revê diariamente o mesmo filme, que parece se renovar a cada engarrafamento.

Lucas Fernandes

Economia, Educação, Painel e Política

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2 Respostas para “Os “complexos”, viadutos e afins

  1. erickfigueiredo

    E olha que você está em BH… Quando estive por aí por alguns meses, achei incrivelmente tranqüilo o trânsito, pois vivo em São Paulo. As obras em BH devem tê-la deixado muito mais bonita. Não vejo a hora de voltar aí… Vamos trocar?

    • Fazer 6,5km em 1h e 30min. Interessante? Pois esta é a realidade das grandes capitais, o que inclui Belo Horizonte. Quanto a trocar, São Paulo com certeza é mais caótica. E o que seria de um mineiro como eu, longe das belezas da Pampulha e da culinária local.

      Grande abraço e continue conosco.

      Lucas Fernandes

      Economia, Educação, Painel e Política.

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