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Feriado mundial

China: sinuosa barreira entre "querer" e "poder". Crédito: Geyson Lenin/Flickr

China: sinuosa barreira entre "querer" e "poder". Crédito: Geyson Lenin/Flickr

Por força demográfica, hoje deveria ser feriado mundial. A primeiro de outubro de 1949, Mao Tsé-Tung proclamava a República Popular da China. Para tanto, foram necessários mais de 20 anos de Guerra Civil entre nacionalistas e comunistas. Tsé-Tung dizia que a vitória dos comunistas fez “o povo chinês se pôr de pé”.

Talvez para nunca mais sentar-se e ficar cansado de tantas restrições às liberdades individuais. Enquanto os nacionalistas do Kuomintang partiram para Taiwan a fim de formar uma espécie de “China capitalista”, a maior parte dos chineses teve de conviver com o Maoísmo. Economicamente aberto e politicamente fechado (especialmente por cultivar a República Unipartidária), o país regula seus cidadãos até hoje, ainda que em menor escala em relação a outros tempos.

Eu não aceitaria o fato de alguém determinar para onde devo ir e quantos filhos posso ter. Sociedades desenvolvidas são as auto-governáveis, as que se policiam através do próprio avanço mental, cultural e econômico. De todo jeito, desejo boa sorte aos chineses no aniversário de 60 anos da proclamação da República Popular e tento me desprender de minhas impressões pessoais. O Relativismo Cultural está aí para isso.

Daniel Leite – Educação e Esportes

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Três dias e nada mais

Ricos consomem em 72 horas, o que pobres levam um ano para gastar

Assim dá para entender a distribuição de renda no Brasil, não é mesmo? Crédito: DreamsTime

Assim dá para entender a distribuição de renda no Brasil, não é mesmo? Crédito: DreamsTime.

Os dados não deixam mentir. A análise da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, a Pnad, de 2008, traça um perigoso raio-X da distribuição de renda no Brasil. Os ricos, que representam 1% da população, gastam em três dias o que as classes  D e E levam um ano para consumir.

A classe A, seleto grupo de 1,9 milhão de pessoas com renda média superior a 20 salários mínimos/mês emprega, em 72 horas, o equivalente ao que 27,7 milhões de brasileiros, com renda entre um e três salários mínimos/mês, leva 365 dias para gastar. É o que aponta o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o Ipea. E é o que o consumidor que visita os mercados, padarias e sacolões de todo país já sabe na prática.

“Apesar de estar registrando desde 2001 queda da desigualdade social num ritmo realmente bom, o Brasil ainda é um monumento à desigualdade”, afirma o pesquisador do Ipea Sergei Soares. O que aborda o integrante do instituto é também constatado pela Fundação Getúlio Vargas. Cerca de 31,9 milhões de brasileiros ascenderam às classes A, B e C, devido a programas assistencialistas como o Bolsa Família.

O grande problema que se esconde por trás deles é a escassez de políticas geradoras de renda. Sem empregos, o cidadão recebe a bolsa e faz de tudo para mantê-la, onerando os cofres públicos, inflando o bolso do cidadão – cansado de pagar altos impostos – e estendendo a questão para outras administrações.

O que fazer?

Fernando Haddad "clama" por uma educação de qualidade. Crédito: Agência Brasil.

Fernando Haddad "clama" por uma educação de qualidade. Crédito: Agência Brasil.

Não é receita de bolo, nem discurso de político. Uma constatação apenas: sem educação, não há evolução. “Para acelerar esse processo é necessário que façamos mais do que apenas olhar as coisas positivas que têm sido feitas. O indicado é que o país atue de forma a melhorar o sistema educacional e a reduzir a informalidade”, lembra Sergei.

Na prática, a informalidade cai. O relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a OCDE, revela que 4,05 milhões de brasileiros saíram da informalidade. O problema é que apenas 5,32 milhões de cidadãos possuem o ensino superior. Menos de 4% da população total do país. E quem possui esse diploma no Brasil ganha, em média, o dobro de um trabalhador com o ensino médio.

Alguém ainda duvida que o país só caminhará quando setores como a Ciência e Tecnologia, além da Educação e Cultura, tiverem melhores orçamentos e a atenção do governo?

Lucas Fernandes

Economia, Educação, Painel e Política

Fontes: Agência Brasil, FGV e  OCDE.

Você duvida do que lhe dizem sobre 11/9?

O mau cheiro da fumaça que emanou do World Trade Center resiste mesmo após oito anos. Crédito: Chuckmo/Flickr

O mau cheiro da fumaça que emanou do World Trade Center resiste mesmo após oito anos. Crédito: Chuckmo/Flickr

Amanhã, fazem aniversário os famigerados ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Mesmo após oito anos, ninguém consegue explicar muito bem por que tudo aconteceu. O que ocorreu, porém, todos sabem. A Al-Qaeda, sob a batuta do líder Osama bin Laden, organizou o sequestro de quatro aviões comerciais a fim de promover uma múltipla ofensiva contra os Estados Unidos. Dois se chocaram contra as torres do World Trade Center (Nova York), um atingiu o Pentágono (Washington, D.C.), e o outro, que chegaria ao Capitólio (Washington, D.C.), não alcançou o destino planejado pelos terroristas. Os atentados provocaram cerca de 3000 mortes.


Quem acompanhou o filme “Fahrenheit – 11 de Setembro”, de Michael Moore, sabe que foram levantadas suspeitas muito graves contra os Bush. A família do ex-presidente teria ligações estreitas com vários xeques árabes. Além disso, a sociedade em empresas da indústria bélica determinava que um eventual conflito poderia ser lucrativo aos negócios do clã.


Explico. A versão de Michael Moore dava conta de que George W. Bush precisava de um pretexto para inventar uma guerra (que, mais tarde, seria a do Iraque). Para tanto, teria disseminado o medo na população norte-americana. E isso incluiria, como o filme deixa subentendido, certo (e errado) “consentimento” aos ataques de 11 de setembro. A prova teria sido a passividade de Bush nas buscas a bin Laden. Ele demorou dois meses para começá-las!


Com a população amedrontada, Bush teria apoio geral em qualquer investida contra o “terrorismo”. O Iraque, por interesses e revanchismo, foi a vítima. Diante disso, as perguntas que faço são as seguintes: até que ponto vai a sua desconfiança? Você acredita que, por motivações pessoais, um grande líder pode agir contra sua própria nação? De fato, afirmar algo seria um tanto irresponsável. Mas especular é necessário para mover a História e as discussões em torno dela.


Daniel Leite – Educação e Esportes


O blog recorda a morte de um pioneiro

Estátua de Oliver Cromwell, em frente ao Palácio de Westminster (Londres). Crédito: Wikipédia

Estátua de Oliver Cromwell em frente ao Palácio de Westminster (Londres). Crédito: Wikipédia

Por malária ou envenenamento? Até hoje, não se sabe. É fato, porém, que o inglês Oliver Cromwell faleceu há exatos 351 anos. Motivos para envenená-lo não faltavam. Afinal, o sujeito foi o pioneiro na usurpação de uma monarquia absolutista europeia – neste caso, a inglesa. Com ideais parlamentares e puritanos, Cromwell aderiu ao exército somente aos 43 anos. Tempos depois, substituiu o conde de Essex no comando das tropas.

Seu antecessor era, acima de tudo, um pessimista. Ele dizia: “Se vencermos o rei cem vezes, ele ainda será o rei. Mas, se ele nos derrotar uma única vez, seremos enforcados”. Cromwell, entretanto, nunca ligou para isso. Após duas guerras civis, ele esteve à frente do processo de destituição da monarquia absolutista. Pela primeira vez na história inglesa, um monarca era julgado. Aos 30 de janeiro de 1649, o rei Carlos I foi decapitado. E logo a Inglaterra virava uma república parlamentarista.

Apesar de ser visto de uma forma positiva por muitos, Cromwell também errou. Alguns entusiastas irlandeses da monarquia ofereceram resistência às ações do militar. Ele, em reação, ordenou um massacre de 3500 pessoas na cidade de Drogheda, na atual República da Irlanda. Além disso, em 1653, o político dissolveu o parlamento e tornou-se um ditador, chamado Lorde Protector. Incomodando tanto nos acertos e insistindo tanto nos erros, Cromwell morreu em 1658 de modo ainda desconhecido.


Oliver foi sucedido por seu filho, Richard Cromwell. De pulso mais fraco, o novo Lorde Protector não aguentou mais do que oito meses no comando da política inglesa. Foi formado um outro parlamento, que decidiu pela volta da monarquia dos Stuart, de poder absoluto. Entretanto, este sistema de governo cairia ainda no século XVII, através da conhecida Revolução Gloriosa.

Por isso, Oliver Cromwell talvez seja um dos grandes responsáveis pelo desenvolvimento precoce do parque industrial inglês. Ele fez balançar o Antigo Regime na Inglaterra e, de forma indireta, aguçou os interesses que seriam expressos quatro décadas após a sua morte na Declaração dos Direitos dos Cidadãos (Bill of Rights). Burgueses, por exemplo, devem muito ao pioneirismo de Oliver Cromwell. Ele não foi o pai, mas, certamente, foi o bisavô da Revolução Industrial.

Daniel Leite  Editor de Educação e Esportes

A Suíça da América

Tabaré Vásquez é o primeiro presidente de esquerda do Uruguai. Crédito: rxgranja/ Flickr

Tabaré Vázquez é o primeiro presidente de esquerda do Uruguai. Crédito: rxgranja/ Flickr

Há exatos 181 anos, o Brasil reconhecia a independência da antiga Província Cisplatina. A porção de terra a leste do Rio Uruguai, pouco maior do que o Acre, havia sido incorporada ao Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves em 1821. Naquela época, a região enfrentava uma grande crise em virtude de conflitos entre caudilhos (líderes locais autoritários), e a anexação do território pelos luso-brasileiros se apresentava como uma boa solução.

 

Entretanto, como os cisplatinos falavam a língua espanhola e mantinham costumes diferentes dos nossos, surgiu em Montevidéu (cidade mais importante da antiga província e atual capital do Uruguai) uma corrente separatista. Após a declaração extra-oficial de independência em 1825 e alguma resistência do Império do Brasil, o país batizado de Uruguai transformava-se, de fato, em Estado Nacional aos 27 de agosto de 1828.

  

Hoje, a República Oriental do Uruguai tem 3,4 milhões de habitantes, a maioria de ascendência europeia. Desde 2005, o país é governado por Tabaré Vázquez, o primeiro presidente de esquerda da história da república, após longa alternância de blancos e colorados no poder. Quanto ao âmbito social, os indicadores do Uruguai obviamente não ocupam o mesmo patamar que os da Suíça, como pode sugerir o título.

  

Todavia, o fato de o território nacional ser pequeno facilita a promoção de políticas relativas a Educação. Assim, 96,7% dos uruguaios são alfabetizados, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da nação chega a 0,852 (considerado elevado), e a expectativa de vida é de 76,4 anos. Por tudo isso e pela notável assistência a seus idosos, o Uruguai ganhou o apelido de “Suíça da América”, esquecido nas últimas décadas. Agora, o presidente Tabaré Vázquez diz pretender “recuperar” a denominação.

 

 Ainda que presa ao passado, a alcunha talvez seja um exagero. O Chile, por exemplo, adota um modelo socioeconômico de grande sucesso, que lhe confere um IDH igual a 0,874 e uma expectativa de vida de 78,6 anos. Mesmo assim, o Uruguai, pela proximidade geográfica e a intersecção histórica em relação ao Brasil, é um exemplo bem sucedido de qualidade de vida. Quero dizer, se ainda não podemos imitar os suíços, imitemos ao menos os uruguaios.

  

Daniel Leite,

Educação e Esportes

Cultura: no mercado mais próximo de você

O que é o Vale-Cultura na sua ótica, caro leitor? Segundo o Ministério da Cultura é a primeira política pública de incentivo real ao “consumo” de produções artísticas no Brasil. Quando olhamos de primeira, imaginamos que seja mais um programa assistencialista como o “Bolsa Família”, o “Bolsa Escola”.

Dar R$50,00 mensais em um cartão magnético para uso cultural gera mais custos do que criar uma política sólida educacional que incentive hábitos culturais como leitura, ida ao teatro. Exemplo de como o vale pode ter cara de paliativo: o MinC espera incremento de mais de R$600 milhões por mês no consumo de bens culturais. Por que não incentivar o consumo de manifestações culturais mais simbólicas presentes em nosso rico folclore, por exemplo? Por que não ter como matéria-prima aulas de leitura livre para a criança descobrir o mundo das letras e, por consequência, de todas as artes faladas, como cinema, teatro, música? Um exemplo  do rumo equivocado da iniciativa governamental: o orçamento do Ministério da Educação para o ensino básico (creche, pré-escola, ensino fundamental e ensino médio) foi fechado para este ano em R$2,05 bilhões, sendo que este valor tem como alvo principal a capacitação de professores. O programa Brasil Alfabetizado e a Educação de Jovens e Adultos sofreram um corte de R$75 milhões.

Mesmo as empresas bancando parte do Vale-Cultura com 1% de isenção no imposto de renda (o trabalhador banca o restante com seu salário em até 10% ou R$5,00), o hábito de apreciar a cultura, a leitura não foi fomentado desde os primórdios da educação do adulto de hoje.  Dados do próprio MinC revelam a falta de interesse  e frequência de consumo do brasileiro por produções artísticas. Uma pequena citação do blog do Vale-Cultura sobre o hábito cultural do cidadão brasileiro: “o Vale-Cultura nasceu de estudos realizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mostram a exclusão cultural no Brasil: apenas 14% da população brasileira vai ao cinema regularmente, 96% não frequenta museus, 93% nunca foi a uma exposição de arte e 78% nunca assistiu a um espetáculo de dança.”

A iniciativa tenta solucionar um problema de base, de criação de hábito. Imagino que irá, sim, aumentar o fluxo de pessoas que consomem cultura, porém o governo parece não pensar que está cometendo o mesmo erro da educação: dar maior ênfase ao ensino superior e quase nenhum ao básico.

Repito a pergunta do início: o que é o  Vale-Cultura, caro leitor?

Anderson Gonçalves- Cultura, Esportes, Saúde e Bem-Estar e Opinião

Felicidade, missão e ambição

Fui convidado a planejar a editoria de Esportes da Revista Digital Sem Fronteiras em setembro do ano passado. A primeira sensação foi de felicidade, pois, naquele momento, tinha certeza de que estava a realizar um bom trabalho no blog futebolístico Por Dentro do Mundo da Bola. Após ser muito bem recebido por todos, dei-me conta de que tinha uma missão: fazer diferente. Não para me vangloriar, mas a fim de atender à proposta do site.

A informação precisa, a opinião sustentada por argumentos fortes e um certo nível de bom humor passaram a sustentar a minha ambição. Somadas à vontade de invadir um campo importantíssimo do Jornalismo, essas aspirações me motivaram a escrever também sobre Fatos Históricos e, por conseguinte, assumir a editoria de Educação.

Boa convivência com os colegas de trabalho (agora meus amigos), desejo de contribuir para levar o projeto à frente e uma intenção gigantesca de fazer um trabalho legal para você, futuro leitor Sem Fronteiras. Assim, defino minha trajetória até aqui.

Daniel Leite,

Editor de Educação e Esportes.

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