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O anti-Oscar da bola

Renan Oliveira, de apenas 19 anos, foi um dos principais jogadores do Atlético Mineiro em 2008. Muito jovem, o meia-atacante era a maior esperança dos torcedores do Galo para esta temporada. Imaginava-se que um time novo e trabalhador poderia girar em torno de seu futebol. Mas nada disso aconteceu. Pela Seleção Brasileira, Renan foi mal no Sul-Americano sub-20 e, no Atlético, não cimentou o posto de titular. As constantes lesões atrapalharam. De toda forma, o garoto, que tem um enorme talento, ainda está devendo muito.


Fred foi a maior contratação do futebol brasileiro em 2009. Não, não estou tendo um devaneio. A chegada do centroavante ao Fluminense teve impacto porque contraria a lógica do nosso futebol: os grandes jogadores são muito jovens (ainda não foram vendidos) ou muito velhos (já voltaram da Europa para encerrar a carreira). Fred tem 26 anos e um incrível faro goleador. O desempenho do ex-atacante do Lyon, entretanto, deixou essa constatação só na teoria. As lesões, os privilégios, os poucos gols e as muitas expulsões são o retrato do Fluminense’ 2009.


O argentino Andrés D’Alessandro chegou ao Internacional no ano passado. Ainda sem o entrosamento ideal com o restante do conjunto colorado, não conseguiu levar o time ao título nacional, embora tenha sido um dos destaques na conquista da Copa Sul-Americana. O ex-meia do San Lorenzo deveria ser o principal emblema do grande esquadrão do centenário. Todavia, El Cabezón (como é chamado na Argentina) tem sido um fiasco. Por vezes – e muitas vezes – é reserva e, de quebra, “gosta” de se envolver em confusões.


Quem são esses três jogadores? Bem, eles são detentores de enorme capacidade futebolística, eram nomes que geravam frisson e, especialmente, muita expectativa por parte dos torcedores. E quem eles poderiam ser? Bem, eles deveriam ser, melhor dizendo, candidatos ao Anti-Oscar da Bola em 2009. Ainda que todos eles – especialmente Renan Oliveira, pela juventude – possam e devam ressuscitar suas carreiras.


Daniel Leite – Educação e Esportes

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Feriado mundial

China: sinuosa barreira entre "querer" e "poder". Crédito: Geyson Lenin/Flickr

China: sinuosa barreira entre "querer" e "poder". Crédito: Geyson Lenin/Flickr

Por força demográfica, hoje deveria ser feriado mundial. A primeiro de outubro de 1949, Mao Tsé-Tung proclamava a República Popular da China. Para tanto, foram necessários mais de 20 anos de Guerra Civil entre nacionalistas e comunistas. Tsé-Tung dizia que a vitória dos comunistas fez “o povo chinês se pôr de pé”.

Talvez para nunca mais sentar-se e ficar cansado de tantas restrições às liberdades individuais. Enquanto os nacionalistas do Kuomintang partiram para Taiwan a fim de formar uma espécie de “China capitalista”, a maior parte dos chineses teve de conviver com o Maoísmo. Economicamente aberto e politicamente fechado (especialmente por cultivar a República Unipartidária), o país regula seus cidadãos até hoje, ainda que em menor escala em relação a outros tempos.

Eu não aceitaria o fato de alguém determinar para onde devo ir e quantos filhos posso ter. Sociedades desenvolvidas são as auto-governáveis, as que se policiam através do próprio avanço mental, cultural e econômico. De todo jeito, desejo boa sorte aos chineses no aniversário de 60 anos da proclamação da República Popular e tento me desprender de minhas impressões pessoais. O Relativismo Cultural está aí para isso.

Daniel Leite – Educação e Esportes

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Cópias e mais cópias

Notícias, Esportes, Entretenimento, Vídeos. Quem dera fosse semelhante apenas essa divisão de assuntos existente nos portais de notícias de emissoras de TV brasileiras… Mas não! As mesmas cores usadas nas manchetes para tratar dos mesmos assuntos, as mesmas seções dentro de cada uma das editorias, enfim, uma copia a outra.

Desde o último domingo, temos à disposição o R7, da Rede Record. Antes dele, a Rede Bandeirantes estreou o eBand. O primeiro de todos foi a Globo.com, do qual faz parte o G1, exclusivo para a veiculação de notícias. Em todos eles, é feita a divulgação do que é produzido em cada uma das respectivas emissoras aos quais estão ligados.

O que mais me chamou a atenção no R7 foi a parte de Entretenimento: a presença de notícias envolvendo artistas globais no portal. No dia seguinte à estreia havia lá informações sobre a final de No Limite, uma entrevista feita com o autor Aguinaldo Silva (sobre a renovação de seu contrato com a Globo até 2014) e ainda outra conversa com outra autora de novelas da Globo, Glória Perez. Depois de uma entrevista com Chico Anysio, colocaram até uma enquete perguntando aos leitores sobre a volta ou não da Escolinha do Professor Raimundo na grade global.

Não haveria como a Record falar de celebridades brasileiras em seu portal deixando de fora os contratados da emissora carioca, já que os da emissora paulista são poucos e, em sua maioria, pouco renomados também. Em tempos de maior acirramento das brigas entre as TVs pela audiência, uma precisa invadir o território da outra – no caso, através de seus portais – se quiser atrair a atenção do público internauta.

Foi-se há muito o tempo em que os telespectadores eram fiéis a um único canal de televisão, 24 horas por dia. Na internet isso não existe, pois a proposta é exatamente que o leitor conflite as informações encontradas para melhor formar sua opinião sobre os fatos. Mesmo que, através da telinha, continuemos a ver dissidências entre as emissoras, no mundo cibernético, ocultar dos leitores o que a concorrência produz, lá do outro lado do muro, parece não ser a melhor estratégia de fidelização.

Mateus dos Santos – Editor de Mídia em Foco

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Realismo otimista

O Brasil não precisa ter tanto medo de Parker. Sua maior conquista, Eva Longoria, não tem nada a ver com o basquete. Crédito: nicogenin/Flickr

O Brasil não precisa ter tanto medo de Parker. Sua maior conquista, Eva Longoria, é alheia ao basquete. Crédito: nicogenin/Flickr

A Seleção Brasileira de Basquete já pode fixar um objetivo para o Mundial de 2010, que será disputado na Turquia: a medalha de bronze. Acompanhei algumas partidas da Copa América e do EuroBasket, de onde poderiam surgir os desafiantes dos Estados Unidos (se você acreditar nessa possibilidade, é claro), e as considerações são razoavelmente otimistas.

Seleções como Grécia, Sérvia, Eslovênia, Turquia e Rússia (que não se classificou, mas deve ser convidada pela FIBA) parecem estar poucos degraus acima do Brasil. Outros conjuntos vivem muito mais de estrelas individuais do que do jogo coletivo. É, por exemplo, o caso da França, excessivamente dependente do armador Tony Parker.

Está claro que é surreal crer em vitórias diante dos prováveis quintetos de Estados Unidos (Paul, Wade, Bryant, James e Howard), Espanha (Ricky Rubio, Navarro, Rudy Fernández, Garbajosa e Pau Gasol) e Argentina (Prigioni, Ginóbili, Delfino, Nocioni e Scola). Entretanto, contra todas as outras seleções, o Brasil tem alguma chance. Bastaria, então, manter Moncho Monsalve e ter força de vontade e fé suficientes para jogar até o que não sabemos e esperar por um confronto precoce entre os favoritos.

A crença no bronze está atrelada à presença de Nenê, seguramente um dos dez melhores pivôs do mundo. Ao lado de Thiago Splitter (opção de banco) e Anderson Varejão, o gigante dos Denver Nuggets formaria um garrafão muito respeitável. Além disso, não é absurdo esperar por grandes performances de Huertas, Leandrinho e Alex. Como diriam nossos colegas hispano-americanos, “Si, se puede”.

Daniel Leite – Educação e Esportes

A mordaça imposta pelas empresas de comunicação

Muito se fala a respeito da interferência que blogs, Twitter e outras redes sociais têm causado sobre a grande imprensa. Seja trazendo à tona assuntos que são incorporados pela mídia em suas pautas, seja “furando” a própria mídia – cobrindo acontecimentos antes mesmo de os jornalistas chegarem ao local do fato. Na semana passada, a discussão sobre essa interferência causada pelas novas mídias começou a afetar diretamente os jornalistas empregados pelos maiores veículos de comunicação do Brasil.

Primeiro, a Folha de São Paulo anunciou algumas regras a serem seguidas por seus jornalistas e colunistas no uso de blogs e do Twitter. Depois foi a vez de a Rede Globo fazer o mesmo com seus artistas, jornalistas e outros profissionais da emissora.

O maior jornal do país recomenda que seus profissionais não assumam opiniões partidárias, apoio a candidatos e campanhas, muito menos que publiquem conteúdo exclusivo. Neste último caso, a saída seria divulgar o link do material exclusivo, que só poderia ser acessado, no site, por assinantes do jornal. A medida, até aqui, parece correta, afinal a credibilidade, tanto do jornalista quanto do veículo em que trabalha, poderia ficar abalada caso um repórter de política manifestasse, em seu blog, apoio descarado a um candidato e sua campanha.

O grande problema, acredito, é um jornalista que trabalha para a Folha não poder opinar sobre uma notícia que escreveu e já foi publicada. Será que depois de, teoricamente, ter ouvido todos os lados da história, apurado e checado as informações recebidas, o repórter não pode, em seu blog e Twitter pessoais, manifestar seu julgamento a respeito do que leu, viu, ouviu e escreveu?

A Rede Globo também passou a proibir a divulgação de informações, comentários e conteúdos obtidos em virtude do relacionamento do funcionário com a emissora. Só por meio de autorização formal será possível fazer isso. A hospedagem de blogs em portais ou outros sites que não os ligados às Organizações Globo também só poderá ocorrer desde que expressamente permitida pela empresa.

O comunicado diz ainda que “a presença individual e particular dos nossos contratados deve se restringir, se desejada, exatamente a este universo [o uso pessoal das redes sociais], estando totalmente desvinculada da atuação na Rede Globo, nem tampouco associados a outros veículos de comunicação. Se essa separação clara não puder ser estabelecida, o uso dessas mídias fica inviabilizado”.

Proteger conteúdos e preservar princípios e valores consolidados é o objetivo que move e continuará a mover essas e outras empresas de comunicação, conforme elas forem enxergando os perigos que as novas redes sociais poderão causar à sua imagem perante a concorrência. De fato, se um jornalista de um grupo anuncia com antecedência algum conteúdo que produziu, a concorrência não vai pensar duas vezes antes de buscar nova abordagem para o mesmo assunto, prejudicando o trabalho do outro grupo antes que este tenha publicado o material.

E você, jornalista ou não, o que pensa sobre as atitudes tomadas pela Folha de São Paulo e pela Rede Globo quanto ao uso das redes sociais pelos seus empregados? Se trabalhasse para alguma dessas empresas, você se enquadraria facilmente nas novas exigências dos seus patrões?

Mateus dos Santos – Editor de Mídia em Foco

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O melhor jogador de uma geração

Salvador Cabañas, já no América do México. Crédito: nidoazulcrema/Flickr

Salvador Cabañas, já no América do México. Crédito: nidoazulcrema/Flickr

Quem acompanha futebol geralmente gosta de comparações, embora a maioria delas não represente muito. A mais comum é escolher “o melhor” em determinada categoria. Nesse sentido,  é viável criar várias classes. Uma delas poderia ser “melhor jogador com mais de 28 anos que nunca atuou na Europa”.

Explico: as equipes do Velho Continente, mais fortes do ponto de vista econômico, angariam todos os talentos que podem. Portanto, é estranho que um atleta já experiente e de alto nível jamais tenha jogado por lá.

Alvo de chacota no Brasil por estar notavelmente acima de seu peso ideal, o atacante paraguaio Salvador Cabañas seria o meu preferido. Quando escrevo isso, não penso apenas nos três gols que marcou no Maracanã em 2008 para eliminar o Flamengo da Copa Santander Libertadores.

Aos 29 anos, Cabañas tem faro goleador e é realmente muito técnico. Em seu país, já atuou no 12 de Outubro e no Guaraní. Entre 2001 e 2003, destacou-se no Audax Italiano, do Chile. Desde então, fez carreira no futebol mexicano. Defendeu o Jaguares até 2006, para finalmente chegar ao América, seu clube atual.

E qual é o motivo para nunca ter sido contratado por um clube europeu? Talvez, sua “inconveniente” forma física, de 173 centímetros e aproximadamente 80 kilogramas. Como os clubes do México pagam muito bem, pensará Cabañas: “problema dos europeus!”.

El Toro foi duas vezes artilheiro da Copa Santander Libertadores (2007 e 2008) e, de quebra, eleito pelo periódico uruguaio El País o melhor jogador na América do Sul em 2007. Se você quiser uma lembrança mais recente dele, veja aqui o gol de Nelson Haedo Valdez, o da vitória paraguaia diante da Argentina na semana passada. A jogadaça foi de Cabañas.

Daniel Leite – Educação e Esportes

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Você duvida do que lhe dizem sobre 11/9?

O mau cheiro da fumaça que emanou do World Trade Center resiste mesmo após oito anos. Crédito: Chuckmo/Flickr

O mau cheiro da fumaça que emanou do World Trade Center resiste mesmo após oito anos. Crédito: Chuckmo/Flickr

Amanhã, fazem aniversário os famigerados ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Mesmo após oito anos, ninguém consegue explicar muito bem por que tudo aconteceu. O que ocorreu, porém, todos sabem. A Al-Qaeda, sob a batuta do líder Osama bin Laden, organizou o sequestro de quatro aviões comerciais a fim de promover uma múltipla ofensiva contra os Estados Unidos. Dois se chocaram contra as torres do World Trade Center (Nova York), um atingiu o Pentágono (Washington, D.C.), e o outro, que chegaria ao Capitólio (Washington, D.C.), não alcançou o destino planejado pelos terroristas. Os atentados provocaram cerca de 3000 mortes.


Quem acompanhou o filme “Fahrenheit – 11 de Setembro”, de Michael Moore, sabe que foram levantadas suspeitas muito graves contra os Bush. A família do ex-presidente teria ligações estreitas com vários xeques árabes. Além disso, a sociedade em empresas da indústria bélica determinava que um eventual conflito poderia ser lucrativo aos negócios do clã.


Explico. A versão de Michael Moore dava conta de que George W. Bush precisava de um pretexto para inventar uma guerra (que, mais tarde, seria a do Iraque). Para tanto, teria disseminado o medo na população norte-americana. E isso incluiria, como o filme deixa subentendido, certo (e errado) “consentimento” aos ataques de 11 de setembro. A prova teria sido a passividade de Bush nas buscas a bin Laden. Ele demorou dois meses para começá-las!


Com a população amedrontada, Bush teria apoio geral em qualquer investida contra o “terrorismo”. O Iraque, por interesses e revanchismo, foi a vítima. Diante disso, as perguntas que faço são as seguintes: até que ponto vai a sua desconfiança? Você acredita que, por motivações pessoais, um grande líder pode agir contra sua própria nação? De fato, afirmar algo seria um tanto irresponsável. Mas especular é necessário para mover a História e as discussões em torno dela.


Daniel Leite – Educação e Esportes